Prefeitura Municipal de Jerônimo Monteiro

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Institucional

Contexto histórico de Jerônimo Monteiro

por Assessoria de Comunicação

26/04/2012 15:45

A origem do Município de Jerônimo Monteiro está ligada a de outras cidades do Sul do Espírito Santo, desbravadas pelo português Manoel José Esteves de Lima. Foi ele quem em 1820, partiu da cidade de Mariana na Capitania das Minas Gerais, chefiando uma expedição com objetivo de atingir a foz do Rio Itapemirim. Há informes dando conta de que veio pela região montanhosa, seguindo principalmente o curso dos rios e vales.

Lima teve um guia, o caboclo Calixto Antônio dos Santos, que fez o mesmo trajeto que mais tarde seria o da Estrada de Ferro Leopoldina Railway, no trecho ligando Cachoeiro de Itapemirim a Carangola em Minas Gerais. A expedição foi descendo as Serras e passando por locais que hoje se encontram as cidades de Dores do Rio Preto, Guaçuí, Alegre, Jerônimo Monteiro e Cachoeiro de Itapemirim, a partir deste ponto seguiram em canoas até a foz do rio, onde se localizava a Vila de Itapemirim.

Segundo relatos, somente por volta de 1823 a expedição chegou a região do atual Município de Jerônimo Monteiro, que chamaram na época de Cachoeira das Flores. Dali seguiu para Duas Barras (atual Distrito de Coutinho, Município de Cachoeiro), nas proximidades do acesso para Castelo, à margem do Rio Itapemirim, onde montou um quartel de apoio.

Depois que a expedição chegou à foz do Itapemirim, um grupo retornou para os locais por onde o primeiro contingente havia passado. Em Jerônimo Monteiro ficaram cerca de seis pessoas. Enfrentando as matas, o grupo subiu o Ribeirão da Vala do Souza até o atual bairro de Parada Cristal. Um desses integrantes era chamado de Marcondes Alves de Souza. Faziam parte desse grupo também o Alferes Antônio de Souza Monteiro, que mais tarde fundou a Fazenda Monte Líbano em Cachoeiro, onde construiu uma grande fortuna, e deixou entre seus descendentes, pessoas ilustres como os Governadores Jerônimo de Souza Monteiro e Bernardino de Souza Monteiro (seus filhos), entre diversos outros. O vilarejo de Cachoeira das Flores com o passar do tempo teve outros nomes como Cristal, Wanderley, Sabino Pessoa. Até 1943 a localidade teve 02 (dois) nomes, Sabino Pessoa (o atual Centro da cidade) e Vala do Souza (atual Bairro de Parada Cristal), nome reconhecido mais tarde pela Estrada de Ferro Caravelas, construída em 1887. No traçado da linha que ligava o Porto do Cachoeiro a Vila do Pombal, a estação de Vala do Souza (Parada Cristal) era a única parada do trem.

Em 1878, o fazendeiro Candido José Bossois, expressando a sua gratidão pelos anos de trabalho e lealdade da escrava Bárbara Maria da Conceição e de seu marido, doou uma área de terras com aproximadamente 04 (quatro) alqueires, pertencentes à Fazenda Santa Cruz, no local denominado de Fazenda Velha (primeira sede de suas extensas área de terra, posteriormente a sede da fazenda foi transferida para fazenda Santa Cruz), que até hoje pertence aos descendentes da Escrava Bárbara, é atualmente conhecido como sítio dos crioulos.

Logo depois da proclamação da República foi criado o Distrito Judiciário de Vala Souza, pela Lei Municipal n. 011, de 11 de janeiro de 1895, do Município de Alegre, e reconhecida pela Lei Estadual n. 715, de 05 de dezembro de 1910. Por aquela época a Leopoldina assumiu a Estrada de Ferro Caravelas e inaugurou 02 (dois) quilômetros da Estação de Vala do Souza, a Estação de Sabino Pessoa (ao lado da atual agência do BANESTES de Jerônimo Monteiro), em homenagem ao Engenheiro que construiu aquele trecho da estrada de ferro. O povoado permaneceu com dois nomes, Vala do Souza e Sabino Pessoa, até se tornar Vila de Vala do Souza.

Em 20 de janeiro de 1928 o vilarejo passou a receber iluminação elétrica. A primeira usina elétrica foi construída pelo Sr. José Antônio Ribeiro (conhecido como Coronel Zeca Fortunato), foi ele quem implantou o primeiro serviço de abastecimento de água, uma serraria, uma sorveteria, ajudou na construção da 1ª Matriz da Igreja Católica (no local do atual Seminário), e doou o terreno para construção da nova estação ferroviária e do primeiro clube social.

Os agricultores dos Distritos de Vala do Souza e de Rive (Município de Alegre) fundaram a União dos Lavradores de Vala do Souza, entidade civil que visava à melhoria para o meio rural dos Distritos, através da introdução do cooperativismo e de serviços sociais diversos. A fundação ocorreu em 15 de fevereiro de 1948. A idéia só foi assimilada pelo governo três décadas depois. A união introduziu novidades na comunidade local, como biblioteca, Cooperativa de Crédito, banda de música, jornal “A VOZ DA LAVOURA”, grupos de escoteiros, escolas de aprendizes de mecânica, artes gráficas, corte e costura, projetor para filmes, serviços médicos e odontológicos.

No início da década de 1940, começou a ser idealizado e a ganhar força no distrito de Vala do Souza, um movimento popular que defendia a emancipação política e administrativa desse Distrito do Município de Alegre, sob a alegação do abandono em que vivia a comunidade local por parte do poder público municipal. Esse movimento surge no seio da União dos Lavradores de Vala do Souza, entidade associativista que reunia agricultores, comerciantes e profissionais liberais do distrito de Vala do Souza e de Rive.

No decorrer do tempo, esse movimento popular favorável à emancipação política foi ganhando uma dimensão maior do que o esperado inicialmente, o que gerou uma série de problemas, como a desistência por parte de algumas lideranças políticas do Distrito de Rive, que sofreram pressão de várias formas para esvaziar o movimento, o que contribuiu para tumultuar o processo.

Mesmo com toda oposição dos principais líderes políticos do Município de Alegre, a população do distrito de Vala do Souza, graças a sua união em torno de um ideal comum, conseguiu que a Assembléia Legislativa do Estado se pronunciasse favorável a criação do Município de Vala do Souza, através da Lei nº. 777/53 de 29 de dezembro de 1953.

Imediatamente o Município de Alegre, contestou todo processo emancipatório, tanto por vias legislativas, quanto por vias judiciais o que levou a suspensão do processo que se arrastou por longos 05 (cinco) anos até a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), em meados de 1958, que considerou o processo e as aspirações da comunidade totalmente legal, sem nenhum vício jurídico e em conformidade com a legislação vigente no País.

Diante da decisão favorável do Supremo Tribunal Federal, dando fim a 05 (cinco) anos de muitas disputas políticas e judiciais, no dia 28 de novembro de 1958, a Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo, aprova a Lei Estadual nº. 1.416, que transforma em Município o Distrito de Vala do Souza, que recebe a denominação atual de Jerônimo Monteiro, em homenagem ao ilustre Ex-governador do Estado. A mudança da denominação foi uma homenagem ao dinâmico governador Jerônimo de Souza Monteiro que administrou o Estado do Espírito Santo de 1908 a 1912, e que junto com a sua família controlou a política estadual até meados da década passada.O Município teve um grande crescimento econômico a partir das décadas de 1930 e 1940, com o apogeu da cultura do algodão que substituiu o cultivo do café justamente numa época de crise de superprodução conhecido como a quebra da Bolsa de Valores de New York (EUA), o que evitou uma quebradeira generalizada entre os agricultores do Distrito. Todo o algodão produzido no Distrito de Vala do Souza e suas adjacências era descaroçado na localidade e vendido principalmente para a empresa TECISA (Tecidos Itapemirim S/A) localizada na cidade vizinha de Cachoeiro de Itapemirim.

Nessa época o Distrito contava com uma Escola Particular (Ginásio da Campanha), com bandas de música e uma vida social animada por um cinema e dois clubes sociais. Desse período podemos destacar no comércio local a presença de empresas comerciais importantes como a Casa Santa Terezinha e as Casas Franklin.

Nos anos de 1960, com o início do programa de erradicação das lavouras de café pelo Governo Federal, através do IBC, e com o abandono das lavouras de algodão devido ao ataque de pragas (principalmente o bicudo) que encareciam o cultivo da lavoura, o Município perde as suas duas principais atividades econômicas, o que causa um grande êxodo da população, principalmente da zona rural do Município que passa seguir em direção a centros urbanos maiores localizados principalmente nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, de Vitória, de São Paulo, e de cidade menores como Cachoeiro de Itapemirim entre outras localidades do País.

O Município passa por uma fase de estagnação econômica nos anos de 1960, só voltando a se recuperar economicamente nos de 1970. Nessa época é instalada no Município uma unidade de produção de sementes da empresa AGROCERES S/A, e o nascimento de algumas pequenas indústrias como fábricas de móveis e marcenarias, cerâmicas, entre outras, além de marcar o retorno do cultivo do café e o crescimento da pecuária leiteira e da criação de suínos.

Nos anos de 1980, o Município mantem um crescimento econômico lento, mas continuado, com o surgimento de novas unidades industriais e de comércio, além da instalação das Agências do BANESTES, CAIXA ECONÔMICA e BANCO do BRASIL.

Com a crise econômica vivida pelo país a partir dos anos de 1990, o Município entra novamente em uma grave crise econômica marcada pelo fechamento da unidade de produção da AGROCERES, das agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica e rebaixamento da Agência do Banestes local, que se transforma em posto de atendimento, além do fechamento de duas indústrias cerâmicas e de uma importante indústria de móveis local a Fabrimol.

 

Os pioneiros

 

João Baptista Raymundo Barbosa

Filho de João Luiz Barbosa e Anna Baptista Salles, nascido em São Gonçalo de Campanha, província de Minas Gerais.

Casou-se em Santo Antônio do Amparo, província de Minas Gerais, com Francisca Maria do Nascimento, filha de Antônio Ignácio Pereira e Rita do Nascimento.

Em Santo Antônio do Amparo, fazendo amizade com a Família Ferreira de Paiva, veio convidado por esses a fixar-se nas terras da povoação de Alegre. João Baptista teve residência, inicialmente na Fazenda Paciência, mudando-se depois para a sede da Fazenda Santa Clara. Suas posses eram localizadas em terras contínuas, desde a vertente direita da Serra do Papudo, próximo da Fazenda Santa Cruz, até o Rio Itapemirim, abrangendo toda a área da Parada Cristal, até a divisa com Cachoeiro de Itapemirim.

O casal João Batista e Francisca Maria gerou os seguintes filhos:

José Raymundo Barbosa, casado com Feliciana Ferreira Pena;

Ananias Raymundo Barbosa, casado com América Barbosa;

Pedro Raymundo Barbosa, casado com Benvinda Izabel Lugon Moulin;

Ana Rita Raymundo Barbosa, casada com Antônio Manoel de Jesus;

Adolpho Raymundo Barbosa, casado com Matilde Barbosa;

Eduardo Raymundo Barbosa, casado com Umbelina Lugon Moulin;

João Fernando Raymundo Barbosa, casado com Ricardina Rosa dos Reis;

Antônio Raymundo Barbosa, casado com Henriqueta Lugon Moulin;

Domingos Raymundo Barbosa, casado com Maria da Penha Ferreira;

Maria Victória Raymundo Barbosa, casada com Antônio José de Rezende;

Emerenciana Raymundo Barbosa, casada com Adrião Rosendo da Rocha;

Vicente Raymundo Barbosa, casado com Donatilla Donária Dallia Louvem;

Nominato Raymundo Barbosa, casado com Joana Barbosa.

A regularização das terras da Fazenda Santa Clara processou-se quando João Baptista Raymundo Barbosa, em 6 de novembro de 1883, nomeou como seus bastante procuradores a Guilherme Frederico de Almeida e o Dr. Deolindo José Vieira Maciel, para comprar na repartição competente, os terrenos da dita fazenda, cujas terras já havia requerido do Governo.

Francisca Maria do Nascimento faleceu em 18 de janeiro de 1899. João Baptista Raymundo faleceu em 26 de março 1899.

O inventário do casal João Baptista e sua esposa, Francisca Maria do Nascimento, foi aberto em 13 de abril de 1899, com sentença final em 21 de outubro de 1899.

 

Cândido José Bossois

Foi um dos desbravadores do Município de Jerônimo Monteiro, tendo aqui chegado pó volta de 1855. Era amigo dos senhores: Major Misael Ferreira de Paiva, Cândido José Bossois e Antônio Egídio de Souza Lima e muitos outros.

Cidadão francês, de Joseph Joachim Bossois e Jesuína Maria de Jesus.

O francês Joseph Joachim Bossois era soldado do exército de Napoleão Bonaparte, e faleceu em combate, nas gélidas estepes da Rússia.

Falecendo Joseph, a viúva, sua mulher, emigrou para o Brasil, trazendo junto seu filho, na época um menino de oito anos de idade, fixando residência em São João de Nepomuceno, província de Minas Gerais. A qual contraiu segundas núpcias com um brasileiro, com qual teve um filho.

Cândido José Bossois casou-se em São João Nepomuceno com Joaquina Cândida de Medeiros; ela filha de Manoel Antônio de Medeiros e Genoveva Cândida de São José. Joaquina era nascida em São José de Nepomuceno.

Inicialmente fixou residência nessa cidade onde nasceram seus filhos mais velhos. Transferiu-se para o povoado de Santo Antônio do Rio Bonito de Conservatória, Município de Valença, província do Rio de Janeiro, onde nasceu sua filha Leopoldina. Logo, transferiu-se para o Distrito de Madre Conservatória, Valença, nascendo ali sua filha Julieta.

Ainda em Santo Antônio do Rio Bonito, em 20 de março de 1858, em sociedade com seu irmão Joaquim Antônio Barbosa, adquiriu de Francisco Antônio Eugênio e sua esposa Maria Justina de Souza, sob palavra, e por cinco contos de réis, uma sesmaria de terra em Nossa Senhora da Penha do Alegre, província do Espírito Santo, que compreendia toda região do Córrego Paraíso, em águas vertentes, cuja aquisição foi escriturada em 11 de julho de 1864, no Cartório do Alegre.

Radicou no Distrito de Alegre, em 1859, ano em que nasceu a sua primeira filha capixaba, Liduína Cândida Bossois.

Foi proprietário das fazendas denominadas de: Serra Grande, Cristal, Santa Cruz, Jacutinga, Velha, Sobradinho, Soledade, Santa Joana e Santa Maria do Norte, todas no hoje Município de Jerônimo Monteiro.

Em sua Fazenda Cristal, construiu o edifício da estação de trem, doando, assim as terras necessárias, à Companhia de Estrada de Ferro Caravellas. Lá também, construiu a primeira escola pública da Povoação do Cristal.

Após a inauguração da estrada de ferro, que ligava Cachoeiro a Pombal (Rive), a estação foi localizada onde é hoje a Parada Cristal (na Vala do Souza), em terras de João Baptista Raymundo. Inconformado por não ter sido escolhido, como parada, o edifício que mandara construir para tal fim, o velho francês, seguido por Antônio Egídio de Souza Lima e Francisco Martins, arrastavam grandes toras de madeiras, com suas juntas de bois, para cima dos trilhos das estradas de ferro, obrigando o trem parar. Com a insistência do fazendeiro era intensa, a diretoria da estrada de ferro resolveu reconhecer a parada da povoação do Cristal, e inaugurar a estação. Essa estação era localizada onde hoje é a agência do BANESTES de Jerônimo Monteiro.

De seu casamento com Joaquina Cândida de Medeiros Bossois, teve a seguinte prole:

Adelina Cândida Bossois, casada com Manoel Lemos Barbosa;

Cândida Umbelina Bossois, casada com José Theodoro Marques. Viúva, casou-se com Antonio Joaquim Pereira da Silva;

Leopoldina Cândida Bossois, casada com Antônio Eugênio de Souza Lima;

Julieta Cândida Bossois, casada com Francisco Rodrigues de Oliveira;

Liduína Cândida Bossois, casada com Joaquim Ribeiro da Silva Júnior;

Cândido José Bossois, (Tenente), casado com Maria Honorina Gomes;

Maria Cândida Bossois, casada com Herculano Antônio Barbosa;

Ambrosina Cândida Bossois, casada com Calixto Azevedo da Silva;

Joaquim Bossois, casado com Maria dos Reis.

Retirou-se da nossa região em 1888, conforme carta publicada no jornal “O Cachoeirano”, de 10 de julho de 1888. Fixou residência na cidade mineira de São João de Nepomuceno, onde veio a falecer em 1891. Candido José Bossois, chegou a região em 1859, vindo a falecer em 1891. Foi um grande proprietário de terras e de escravos, homem progressista e empreendedor, deixando para sempre o seu nome ligado ao nascimento do Município de Jerônimo Monteiro.



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